Violência, um problema de saúde pública

“Em todo o mundo, a violência invade a vida de muitas pessoas e, de alguma maneira, toca a todos nós. Para muitas pessoas, ficar a salvo é questão de trancar portas e janelas e evitar lugares perigosos. Para outros, é impossível escapar. A ameaça da violência está atrás dessas portas, bem escondida da vista pública.E, para aqueles que vivem no meio de guerras e conflitos, a violência permeia todos os aspectos da vida.”(Gro Harlem Brundtland, Diretora Geral da  OMS  (1998/2003))

* * *

A cada 10 minutos, 1 pessoa é assassinada. Esse é o retrato do país, que completou o ano de 2013 com 53.646 mortes por agressões e que possui uma taxa de 25,2 homicídios para um grupo de 100 mil habitantes, índice bem superior a de 10 homicídios por 100 mil habitantes que a Organização Mundial da Saúde (OMS) utiliza para determinar se um país encontra-se com níveis epidêmicos de morte por agressão.

Nos últimos 30 anos, os índices criminais cresceram de maneira assustadora, assim como a população carcerária – estima-se que haja aproximadamente 550 mil pessoas presas no sistema penitenciário – ao mesmo tempo em que a maioria dos brasileiros não acreditam na efetividade da legislação e não confiam no sistema de justiça, gerando um sentimento de impunidade.

Todos os dias, os meios de comunicação veiculam dezenas de notícias de crimes, assassinatos, roubos, sequestros, ocorridos em quase todas as regiões do país.

Afinal, qual a relação de violência urbana e a saúde do indivíduo?

É simples, a violência urbana nada mais é do que um determinante social em saúde – fatores sociais, culturais e econômico capazes de influenciar a ocorrência de problemas de saúde e o aumento dos fatores de risco na população – assim, o sentimento de insegurança faz com que as pessoas permaneçam trancadas em seus lares, vigiadas – a quase todo momento – por dispositivos de seguranças instalados em suas casas, tendo que recorrerem – muitas vezes –  à contratação de vigilância privada.

Você tem medo de sair na rua, ser assaltado, perde o sono quanto familiares e entes queridos saem à noite e não consegue entrar em contato com eles?

A Resolução WHA49.25 – elaborada durante a Quadragésima Nona Assembleia Mundial de Saúde da OMS – declarou a violência como um dos principais problemas mundiais de saúde, além disso, ao utilizarmos a definição de saúde prevista na Constituição da OMS – “A saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não consiste apenas na ausência de doença ou de enfermidade”, podemos concluir que a violência urbana, além de trazer consequências que são resultados diretos do crime (lesões, mortes, etc), também faz com que as pessoas fiquem cada vez mais preocupadas e com medo de serem vítimas potenciais, e como consequência -para se protegerem – temos uma sociedade que esta restringindo suas interações sociais   e abdicando a suas liberdades pessoais,  diminuindo de forma significante sua qualidade de vida e de saúde.

Referências Bibliográficas:

BUSS, P.; PELLEGRINI FILHO, A. A saúde e seus determinantes sociais. Physis, v. 17, n. 1, p. 77-93, 2007.

CERQUEIRA, D. et al. Defendendo mais paz, segurança e justiça na Agenda Pós-2015 da ONU. 8º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, São Paulo, p. 124-133, 2014.

SEGRE, M.; FERRAZ, F. O conceito de saúde. Rev. Saúde Pública,  São Paulo ,  v. 31, n. 5, Oct.  1997 .

Relatório mundial sobre violência e saúde. Genebra: Organização Mundial da Saúde, 2002.

Ricardo
Membro da Polícia Civil do Estado de São Paulo. Mestrando pelo programa de psicologia da FFCLRP.

Comments 1

  • […] “Em todo o mundo, a violência invade a vida de muitas pessoas e, de alguma maneira, toca a todos nós. Para muitas pessoas, ficar a salvo é questão de trancar portas e janelas e evitar lugares perigosos. Para outros, é impossível escapar. A ameaça da violência está atrás dessas portas, bem escondida da vista pública.E,… FONTE […]